A
vida é feita de momentos...
Momentos
especiais e que marcam...
Momentos
que não são dias nem horas... Nem mesmo coisas do acaso.
A
vida é feita de encontros...
Encontros
que nos dizem quem somos...
Encontros
que retratam o que os outros são para nós... Encontros que acontecem.
A
vida é feita de diálogo, ela é feita de pessoas...
A
vida é feita de pessoas que se encontram em momentos que marcam...
Momentos
que são únicos e especiais, inesquecíveis.
É o
encontro de pessoas que se amam...
De
pessoas que se doam umas às outras... São momentos de diálogo e de alegria, de
comunhão e de festa, de dor e de esperança.
A
vida é um momento de encontro no qual nos sentamos ao redor de uma mesa e partilhamos
aquilo que temos...
É o
repartir da graça, do dom recebido, do trabalho realizado, do bem construído...
Esta
é a vida!
A
vida não se mede por anos nem por horas... A vida é mais!
A
vida é vivida por intensidade, no amor... Por isso ela é dom, por isso ela é
graça...
Ela
é fruto do amor de Deus que vem e que nos toca no que é mais simples e terno...
E,
na ternura, apresenta-nos o eterno, o amor de Deus, sentido no tempo, no dom e
na graça.
Esta
é a vida! A verdadeira vida!
A
mesma que vem de Deus, que se desenvolve por ele, e que retorna para ele.
São
momentos de graça, encontros na graça, no diálogo com tudo e todos.
É de
onde partimos para falar da Vó Helena.
Em momentos
e encontros: no amor, nos outros e em Deus – uma breve homenagem!
No
último dia do ano, dia 31 de dezembro de 2013, nós tivemos um momentos assim.
Um momento de encontro especial, em graça.
Uma
despedida, um adeus, um até breve... Um fechar de um tempo...
Neste
dia, a nossa Vó Helena despediu-se de nós. Saiu do nosso encontro, saiu do
nosso momento para entrar no momento de Deus e encontrar-se com ele, num
diálogo novo, aberto, intenso e eterno, no amor!
Foi
um fechar de uma vida vivida em serviço, no atendimento, na acolhida e na
benção de Deus.
Foi
um viver dedicado aos outros, ao zelar da família, na comunidade, na atenção
dos pequenos e de todos aqueles que estavam a sua volta.
Foi
um viver que trouxe vida, e vida em plena.
Neste
dia, Deus visitou a nossa casa mais uma vez, e fez nela novamente a sua morada.
Ali
ele buscou algo que lhe era precioso, que lhe era querido, que era obra do seu
amor.
Ali
ele levou novamente algo para si, mas também deixou em seu lugar a marca de uma
vida...
Uma
vida vivida em atenção, no cuidado, no zelar de uma mãe, que como mãe sempre se
preocupa com seus filhos... Em saber onde estão e como estão.
Não
teremos mais o seu sorriso, mas estaremos com a sua lembrança!
Não
veremos mais o seu olhar, mas sentiremos ainda a sua proteção!
Não
beijaremos mais a sua mão, mas levaremos sempre a sua benção!
Não
conseguiremos mais a sua presença, mas viveremos naquilo que semeou, em cada
canto, em cada gesto, em cada filho e filha, netos e netas, e em cada olhar.
Esta
é a vida que encontra o seu destino, que se abre ao novo, que fecha o seu tempo
e se abre ao eterno de Deus.
É a
vida que chega num fim que não é fim, mas o começo de um novo encontro, de um
novo momento, junto a Deus.
Este
é o caminhar da esperança, de uma morte que não se encerra, mas que revela a
beleza da vida, da ressurreição, do encontro maior, do nosso momento em Deus.
É a
esperança que se transforma em força de luta e de serviço, que canta e encanta,
que envolve o todo e traz a todos os que estão a sua volta o seu sentido maior.
Morrer
não é o fim, não é o encerrar de uma história.
Morrer
é abrir-se ao novo que vem... Na ressurreição que nos chama e nos coloca diante
de Deus, face a face. Diante de um Cristo que faz novas todas as coisas,
trazendo o longe para perto e o eterno para o terno de nossas vidas.
Na
morte sentimos Deus que se faz próximo e nos quer em sua presença.
Na
morte sabemos quem somos e sabemos quem é Deus em nós.
Na
morte trazemos as belezas de vida para se tornarem eternas.
Na morte
tudo é revelado e tudo é perdoado...
Tudo
é elevado diante do amor.
É
desta forma que nos despedimos de nossa Vó Helena!
Dizemos
um adeus na esperança!
Na
esperança de que está acolhida nos braços de Deus, em sua presença, em sua
proteção, em seu amor.
E a
nós que aqui estamos, sentimos a mesma esperança na graça, e vivemos no mundo
como peregrinos... No mesmo serviço, no mesmo afago, na mesma atenção, levando
a todos, principalmente aos que mais precisam a mesma proteção, o mesmo olhar, a
mesma benção.
Vemos
aqui a beleza que se revela na morte, sobretudo, quando ela acontece nas
celebrações de Natal, quando Deus vem de forma simples e pobre, pequenino, e
nos envolve com seu olhar e proteção.
Vemos
aqui uma morte que se revela na semana da família, trazendo a nós a lembrança
da família de Nazaré, que na pobreza de Maria e na justiça de José, revelam a
nós o profetismo de Jesus, que chama a todos à bem-aventurança, num momento
especial, num encontro maior!
Vemos
aqui uma morte que só pode ser capaz de gerar vida, pois foi a vida que a Vó
Helena sempre semeou.
Momentos
e encontros que nos fazem lembrar da Vó Helena!
Sempre
no amor, sempre nos outros e sempre em Deus!
Que
a força do Ressuscitado a conduza nos braços de Deus e revele a ela a plenitude
da vida!
Que
o Espírito que tudo renova venha até nós e nos ensine a caminhar na esperança, sempre,
assim seja!
Agradecemos
a Deus a vida de nossa Vó Helena.
Ela
viveu com longos dias e Deus lhe mostrou a sua salvação! (Sl 91,16)
Uma breve homenagem!
De Cesar Kuzma e família